A Caneta e o Símbolo

A primeira vez que segurei aquela caneta, visualizei uma cena emblemática: um dos momentos favoritos de qualquer autor. Decidi naquele instante que essa mesma sensação deveria ser compartilhada com cada pessoa que recebesse meus livros. É por isso que essa caneta, em particular, é tão especial para mim.

Estava a poucos dias de realizar o lançamento presencial do meu livro, a primeira vez que organizava um evento desse porte, onde prepararia tudo por conta própria e venderia meus livros em uma tarde de autógrafos.

A emoção era enorme, mas sentia que faltava algo. Precisava de um diferencial, algo marcante que me fizesse ser lembrado por aquele momento. Queria compartilhar a emoção que estava sentindo, transformando aquele evento único para mim em algo igualmente único para quem adquirisse meu livro.

O evento seria no sábado e, na quinta-feira anterior, acabei indo ao shopping e me deparei com uma loja de canetas.

Havia canetas de todos os tipos, modelos e cores, todas encantadoras. Aproximei-me, perguntei o preço de algumas e, com um pouco de dúvida, o vendedor me entregou uma em mãos.

Assim que a segurei, soube que aquela poderia ser a marca distintiva que eu procurava. No entanto, ainda faltava um detalhe, algo que a tornasse verdadeiramente personalizada.

Foi então que o vendedor disse: “Nós podemos gravar o seu nome nela”.

Aquilo foi a cartada final. Senti que agora sim teria algo especial. Não vou mentir: o preço da caneta poderia comprar mais alguns exemplares dos meus livros para vender, mas o simbolismo era importante para mim.

Meu lado fantasioso conseguiu enxergar Bilbo Bolseiro e até mesmo Frodo segurando a espada matadora de orcs pela primeira vez. Na verdade, era apenas uma adaga que, nas mãos dos hobbits, se tornava do tamanho de uma espada. Carinhosamente, batizei a caneta de “Ferroada”.

Se você acompanha qualquer um dos meus vídeos ou já me encontrou pessoalmente, sabe que ela está sempre comigo. Toda vez que empunho a caneta, é exclusivamente para dar autógrafos; não faço mais nada com ela.

Talvez você esteja se perguntando o porquê de toda essa história aqui, achando que é apenas para me gabar por ter comprado uma caneta cara. Na verdade, tudo isso é uma grande desculpa para trazer uma reflexão para você, autor ou autora, que deseja iniciar ou já está no mundo literário.

O mercado, principalmente o independente, é uma batalha. Para encantar os leitores, que ainda hoje, infelizmente, têm certos preconceitos com livros nacionais, é preciso entregar algo a mais. Um pequeno detalhe pode fazer toda a diferença.

Digo isso porque, desde que comecei a usar a “Ferroada”, inclusive toda vez que alguém compra online, faço questão de mostrar que ela está sendo usada exclusivamente para aquilo. Não há quem não se encante ou se lembre do nome da caneta ou que, ao ver o autógrafo, não se lembre de todo esse carinho.

Aqui no “Livro de Teseu”, o foco é ajudar você, autor, a escrever, lançar, publicar e vender seus livros. Não ficaria tranquilo se não compartilhasse tudo o que fiz e que fez ou faz diferença.

Espero que você também encontre a sua própria “Ferroada”. E quem sabe, um dia, eu possa ter a honra de receber um autógrafo dela também.

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