Querer brincar e o horário de voltar

Este primeiro relatório me trouxe um desafio um pouco fora do que eu esperava, afinal, a pessoa em questão me contou que se escondia enquanto brincava na rua para que sua mãe não a chamasse para voltar para casa.

Deid é um demônio interdimensional, um personagem que criei, ele veio até a Terra para buscar um espécime de pura maldade para levar a seu planeta, pois lá, o bem venceu a guerra e domina o mundo todo, existe uma resistência, mas está sem uma liderança forte, e cabe a Deid, voltar com alguém para tomar este lugar.

Em minhas redes sociais eu pedi para que mandassem alguma travessura para que eu colocasse o Demônio em Ação para que pudesse observar e decidir se a criança seria um espécime digno de se tornar um lider da resistência maléfica.

A ideia era trabalhar em cima de uma situação comum, com o adendo de estarmos sempre sendo observados, em alguns casos, até mesmo, sofrendo uma interferência externa.

Claro que coloco a situação em uma situação de tensão, aumentando o suspense e direcionando a atenção do leitor para o objetivo principal de Deid, que é achar alguém de pura maldade.

Como toda piada, existe sempre uma quebra de expectativa, mostrando a esperança na espécie humana por parte do autor.

Aqui nesta história, foquei na questão da vontade de brincar que nunca acaba quando éramos pequenos, que infelizmente era finalizada pelo consenso dos pais que vinham ao nosso encontro.

Claro que existem diversas formas de escapar desta bronca, mas aqui coloquei uma forma que pos a prova a inocência infantil, espero que gostem e caso queiram conhecer mais do meu trabalho, visitem a livraria do Teseu.

Relatório de Deid Sobre a espécime Adriana

Hoje, adentrei a escuridão desta cidade remota, onde a natureza se impõe sobre os frágeis vestígios da civilização. Uma pasta aleatória me trouxe até aqui, onde as sombras da floresta densa escondem segredos profundos. O ar carrega um arrepio sobrenatural, como se o próprio medo se agitasse entre as árvores. Tenho minhas dúvidas se encontrarei mais maldade aqui do que nos desumanos centros urbanos, mas precisava fazer este teste e comparecer justamente neste relatório.

A observada em questão é uma criança de nome Adriana, cuja alegria e paixão por brincar é notória. Ela foge das responsabilidades impostas e se entrega ao deleite das brincadeiras com seus colegas. Mas sob essa aparência encantadora, sinto uma inquietação, uma ânsia de transcender os limites estabelecidos por seus pais, em especial sua mãe.

Uma reviravolta sombria cruzou meu caminho, pois uma criança recém-chegada à mesma rua de Adriana entrou em cena. Com maestria demoníaca, induzi um encontro casual entre elas, que rapidamente engajaram-se em brincadeiras e contos fantásticos. A recém-chegada trouxe consigo um ar de novidade, instigando Adriana a perder-se em um universo de maravilhas desconhecidas. O tempo deixou de ter significado para ela, envolvida naquele encontro improvável.

Contudo, a hora do banho e da refeição logo se aproximou, trazendo consigo o chamado da mãe de Adriana. Nesse momento, surgiu a oportunidade para testar os limites de sua vontade. Conduzi-a, como uma marionete, para subir em uma árvore próxima, cujos galhos eu habilmente enfraquecera. Escondido nas sombras da folhagem, observei a tensão em seus olhos, enquanto planejava minuciosamente derrubar um galho sobre sua própria mãe.

A medida que Adriana posicionava-se para lançar o pedaço de madeira, seu rosto se contorceu entre a maldade e a hesitação. Naquele momento, eu vislumbrei a maldade brotando, a fagulha sinistra prestes a se acender. O mundo ao redor parecia se congelar, as árvores sussurravam segredos sombrios, como se aguardassem o desenlace de uma sinistra peça teatral.

Então, em um átimo, tudo se desfez. Um pequeno lampejo de memória pareceu assombrar Adriana, levando-a a recuar. A chama do mal vacilou, mas não se apagou. Em vez de seguir com seu plano obscuro, ela segurou em falso, caindo de costas ao lado de sua mãe. A decepção amarga tomou conta de mim, pois o que poderia ter sido um triunfo das trevas foi subitamente dissipado.

Talvez as sombras desta cidade escondam algo que minha presença não é capaz de revelar. Sinto-me cansado desta busca incessante por maldade. As árvores sussurram enigmas e o ar frio me envolve como um lamento das trevas. Decidi, por ora, desistir da observação de Adriana. Há mais mistérios nesta cidade do que minha busca por um líder maléfico pode desvendar.

Desaparecerei nas sombras, retornando à minha dimensão sombria, onde a procura por equilíbrio entre o bem e o mal continua. Talvez, em outro lugar ou tempo, encontre a essência maligna que minha dimensão desesperadamente anseia.

Fim do Relatório de Deid.

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